Acionistas da Warner Bros. Discovery aprovam fusão de US$ 110 bilhões com a Paramount Skydance

Os acionistas da Warner Bros. Discovery votaram na quinta-feira pela aprovação de uma fusão de US$ 110 bilhões com a Paramount – Skydance. O acordo enfrenta agora uma revisão regulamentar nos Estados Unidos e na Europa antes de poder ser finalizado.

Os acionistas da Warner Bros. Discovery votaram na quinta-feira pela aprovação de uma fusão de US$ 110 bilhões com a Paramount Skydance. Se os reguladores federais e internacionais aprovarem, o magnata da mídia David Ellison – filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison – controlará o lendário estúdio Warner Bros., bem como canais a cabo, incluindo CNN e HBO, e os ativos de streaming da Warner.

Ao longo dos últimos meses, a consolidação pendente gerou muitos receios, que David Ellison tentou acalmar. Ele fez uma apresentação aos executivos da Madison Avenue na terça-feira, pedindo apoio publicitário.

E na semana passada, na CinemaCon, uma convenção anual para proprietários de cinemas, Ellison repetiu sua promessa – de que os estúdios combinados da Warner e da Paramount lançariam 30 filmes por ano.

Essa foi uma boa notícia para Adam Aron, CEO da rede de teatros AMC, que endossou o acordo de aquisição.

“Aprecio muito o histórico de sucesso de David Ellison e sua paixão em fazer filmes que irão deslumbrar o público em todo o mundo”, disse Aron em um post no X.

O poderoso produtor de cinema Jerry Bruckheimer, que esteve por trás de franquias de grande sucesso como Arma superior e Piratas do Caribe, diz que a aprovação final do acordo Warner-Paramount é inevitável.

“O trem saiu da estação. Isso vai ser feito”, disse Bruckheimer à NPR. “David, eu sei, adora filmes e assumiu o compromisso de que gostaria de fazer 30 filmes entre os dois estúdios.

David Ellison, CEO da Paramount Skydance, fala no palco durante a apresentação da Paramount Pictures no CinemaCon deste mês, em Las Vegas.

Os acionistas não aprovaram um pacote de remuneração para os executivos da Warner em uma votação consultiva não vinculativa. De acordo com a empresa de consultoria de procuração Institutional Shareholders Services, o atual CEO da Warner, David Zaslav, poderia receber um “pára-quedas de ouro” da transação – quase US$ 887 milhões.

Mais de 4.000 diretores, atores, escritores e outros profissionais de Hollywood assinaram uma carta aberta se opondo à fusão. Os signatários incluem os astros Kristen Stewart, Pedro Pascal e Javier Bardem.

Num vídeo no Instagram postado pelo Comitê da Primeira Emenda, Jane Fonda, Mark Ruffalo e outros atores fizeram um apelo para impedir a fusão. Eles estavam céticos em relação às promessas de David Ellison.

Ruffalo disse acreditar que o mega acordo significaria “menos empregos, custos mais elevados e menos opções para nosso querido público”.

Alguns disseram temer que o acordo leve a um conteúdo menos criativo; outros disseram que isso consolidaria ainda mais um cenário de mídia já concentrado.

Os críticos de Hollywood também dizem que a fusão daria demasiado poder à família Ellison – que é amiga do presidente Trump.

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, está investigando o acordo por violações antitruste. A consolidação também é contestada pelos senadores norte-americanos Elizabeth Warren, Chuck Schumer e Cory Booker. Enviaram uma carta à Comissão Federal de Comunicações – cujo presidente apoia a fusão – apelando ao escrutínio federal do acordo e do seu financiamento estrangeiro, parcialmente proveniente da Arábia Saudita, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelos reguladores federais e internacionais. Se aprovada, a Paramount pretende fechar até 30 de setembro.

Enquanto isso, David Ellison planeja oferecer um jantar somente para convidados esta noite em Washington, DC, para homenagear Trump.