A Uefa, principal entidade do futebol europeu, disse na quinta-feira que seus membros boicotariam a Copa do Mundo masculina e feminina, a menos que a Fifa abandone um polêmico plano de vender participações no torneio a investidores privados.
Um boicote a uma das principais competições desportivas do mundo representaria um passo sem precedentes para as nações europeias. Também ameaça pôr em perigo uma proposta apresentada pela FIFA esta semana para criar uma empresa para gerir todos os direitos comerciais dos seus torneios, incluindo a Copa do Mundo.
A disputa antecede a Copa do Mundo feminina do próximo ano, no Brasil, e também a Copa do Mundo masculina de 2030, que marcará o centenário do torneio, comemorando 100 anos da edição inaugural no Uruguai, em 1930. O evento será realizado principalmente na Espanha, Portugal e Marrocos, com partidas do centenário no Uruguai, Argentina e Paraguai.
Segundo a proposta, a FIFA também venderia participações minoritárias nessas empresas recém-criadas a investidores privados, incluindo uma empresa dirigida por Joshua Kushner, irmão do genro do presidente Trump, Jared Kusnher. O plano de vender participações minoritárias provocou fúria em entidades do futebol europeu.
“Algumas coisas são simplesmente demasiado importantes para serem vendidas. O Campeonato do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda”, afirmou a UEFA no seu comunicado.
A Federação Inglesa de Futebol afirmou: “Estamos lado a lado com os nossos colegas europeus e apoiamos totalmente a visão colectiva”.
A Concacaf, órgão dirigente do futebol na América do Norte, América Central e Caribe, também expressou preocupação com a proposta da FIFA, mas não chegou a pedir um boicote.
“Através destas ações, a Concacaf reafirma que o futuro do futebol – e o seu maior trunfo – deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol”, afirmou a confederação num comunicado.
A Concacaf disse que suas 41 federações-membro têm “profundas preocupações com a falta do devido processo em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos relevantes de governança da FIFA”.
A confederação disse ter rejeitado a proposta e pediu que quaisquer decisões que afetem o futuro do futebol sigam processos de governança adequados.
‘O futebol muda para sempre’
A FIFA defendeu a sua proposta, dizendo que manteria todo o poder de decisão em todos os seus torneios, ao mesmo tempo que observou que a sua proposta envolvia apenas a venda de parte do empreendimento comercial.
A UEFA, que representa 55 associações de futebol membros em toda a Europa, questionou essa promessa na sua declaração contundente de quinta-feira.
“No momento em que os investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores tornam-se uma pressão diária”, afirmou a UEFA.
A UEFA acrescentou que os investidores, mesmo que detenham participações minoritárias, remodelariam o Campeonato do Mundo.
“A partir desse momento”, afirmou a UEFA, “todas as decisões sobre o calendário internacional, todas as decisões sobre formatos de competição e todas as decisões que moldam o futuro do futebol já não são orientadas pelo que melhor serve o jogo, mas sim pelo que melhor serve os accionistas”.