Trump diz que ‘não tem nenhum problema’ com petroleiro russo trazendo ajuda a Cuba apesar do bloqueio

Pessoas passam a noite no escuro no Malecón durante um apagão em Havana, Cuba, sábado, 21 de março de 2026.

A BORDO DO FORÇA AÉREA UM – O presidente Donald Trump disse na noite de domingo que “não tem nenhum problema” com um petroleiro russo na costa de Cuba entregando ajuda à ilha, que foi colocada de joelhos por um bloqueio petrolífero dos EUA.

“Temos um navio-tanque lá fora. Não nos importamos que alguém carregue um barco porque eles precisam… eles têm que sobreviver”, disse Trump aos repórteres enquanto voava de volta para Washington.

Quando questionado se uma reportagem do New York Times de que o navio-tanque seria autorizado a chegar a Cuba era verdadeira, Trump disse: “Eu disse-lhes, se um país quiser enviar algum petróleo para Cuba neste momento, não tenho problema se é a Rússia ou não.”

Os dados de rastreamento mostram que o petroleiro que transportava aproximadamente 730.000 barris de petróleo estava perto da ponta leste da ilha na noite de domingo e deveria chegar à cidade de Matanzas na terça-feira. Jornalistas que trabalham para a mídia estatal cubana também relataram a chegada prevista do barco, embora as autoridades cubanas não tenham respondido imediatamente a um pedido de comentários.

O navio, Anatoly Kolodkin, é sancionado pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido após a guerra na Ucrânia.

Trump, cujo governo atacou o seu adversário caribenho de forma mais agressiva do que qualquer governo dos EUA na história recente, cortou efectivamente o acesso de Cuba aos principais carregamentos de petróleo, num esforço para forçar a mudança de regime. O bloqueio teve efeitos devastadores sobre os civis. Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, dizem querer ajudar, deixando muitos desesperados.

Os apagões em toda a ilha perturbaram os cubanos que já enfrentavam anos de crise, e a falta de gasolina e de recursos básicos paralisou os hospitais e reduziu os transportes públicos.

Especialistas dizem que o carregamento previsto poderá produzir cerca de 180 mil barris de diesel – o suficiente para alimentar a demanda diária de Cuba durante nove ou dez dias.

Os apagões em toda a ilha perturbaram os cubanos que já enfrentavam anos de crise, e a falta de gasolina e de recursos básicos paralisou os hospitais e reduziu os transportes públicos.

Cuba está há muito tempo no centro do cabo de guerra geopolítico entre os EUA e a Rússia, que remonta a décadas. Trump rejeitou no domingo a ideia de que permitir que o barco chegasse a Cuba ajudaria o presidente russo, Vladimir Putin.

“Isso não o ajuda. Ele perde um barco cheio de petróleo, só isso. Se ele quiser fazer isso, e se outros países quiserem, isso não me incomoda muito”, disse Trump. “Isso não terá impacto. Cuba está acabada. Eles têm um regime ruim. Eles têm uma liderança muito ruim e corrupta e se conseguirem ou não um barco de petróleo, isso não vai importar.”

Ele acrescentou: “Prefiro deixar entrar, seja a Rússia ou qualquer outra pessoa, porque as pessoas precisam de calor, refrigeração e todas as outras coisas”.